Durante anos, o controller foi tratado como um cargo essencialmente técnico, o guardião das normas contábeis e das obrigações fiscais. Isso mudou. Nas empresas que têm gestão financeira mais sofisticada, o controller hoje é interlocutor direto do CFO e interfere ativamente nas decisões estratégicas.
O cargo tem origem americana e foi chegando ao Brasil com força nos anos 2000, à medida que subsidiárias de multinacionais precisavam de alguém que fizesse a ponte entre as práticas locais e os padrões de reporte globais. Hoje está presente em empresas de todos os portes.
A função central do controller é garantir a integridade das informações financeiras da empresa. Isso envolve supervisionar a contabilidade, assegurar que as demonstrações financeiras estejam corretas, coordenar auditorias internas e externas, e responder pela conformidade com normas como as IFRS e o CPC.
Mas a versão mais atual do cargo vai além. Controllers que geram valor real para a organização também atuam em controles internos, políticas de gestão de risco, análise de rentabilidade por produto ou unidade de negócio e suporte a decisões de M&A.
Uma das áreas em que a atuação do controller tem crescido em complexidade é o tratamento das provisões contábeis. Provisões para devedores duvidosos, contingências trabalhistas, garantias de produto exigem critério técnico, documentação adequada e rastreabilidade das premissas usadas. Em empresas com volume relevante de provisões, gerenciar isso de forma manual é uma fonte constante de risco contábil e de retrabalho na auditoria.
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