Business Partner que Chega Depois da Decisão

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Renan Lombardi

Por Redação PRAESKIUS

26 de ago. de 20263 min
Executivo de roupa social e óculos, olhando para tela do telefone. Logo da Praeskius sobreposta à imagem.

A área de suprimentos troca o fornecedor de uma matéria-prima importante numa quinta-feira, achando que resolveu um problema de custo. Na segunda-feira seguinte, o FP&A recebe a notícia e é chamado pra calcular o impacto no resultado. Ninguém perguntou pra ele antes, e agora o trabalho dele é só medir o estrago ou o ganho de uma decisão que já não pode mais ser revista.

A diferença entre estar na sala e estar na decisão

Business partnering é o termo que todo FP&A usa pra descrever o que quer ser. Na prática, boa parte do que passa por business partnering hoje é exatamente essa cena, o FP&A recebendo a decisão já tomada e produzindo a análise que explica o impacto dela depois. Isso tem valor, mas não é parceria de negócio, é auditoria de decisão. A diferença entre as duas coisas não está na atitude, nem em o FP&A "ser mais estratégico", mas no momento em que ele entra.

Quando o relatório existe e ainda assim ninguém participa de verdade

Tem uma versão mais sutil do mesmo problema, e ela aparece mesmo quando o FP&A entrega relatórios todo mês. Existe reunião marcada, existe apresentação de número, o gestor participa, fala sobre o resultado durante uma hora, e segue pro assunto seguinte. Só que participar da reunião não é o mesmo que participar da decisão. Se esse gestor toma decisão no dia a dia sem voltar pra pensar no impacto que aquele número mostrou, sem revisitar a informação entre uma reunião mensal e outra, o relatório existe mas não influencia nada, ele é ritual, não é insumo de decisão. Isso é mais comum do que parece: a cultura de olhar o número com atenção regular, não só na hora marcada, é rara, e a decisão continua sendo tomada por instinto de que "vai ser melhor assim", mesmo com o dado disponível na mesa.

Um exemplo fora da área financeira pra ver o mecanismo

Em cadeia de suprimentos existe um caso bem documentado dessa virada. A área financeira deixa de só registrar o custo de uma decisão logística depois que ela foi tomada, e passa a participar da própria decisão sobre estoque, fornecedor e rota antes que ela aconteça. O resultado financeiro melhora não porque o relatório ficou melhor, mas porque a decisão em si mudou com a presença do financeiro na mesa antes, não depois.

O que muda quando a participação é ativa, antes e entre as reuniões

Quando o FP&A entra depois, ou quando o gestor só olha o número na reunião mensal e esquece entre uma e outra, a única alavanca disponível é a explicação. Quando entra antes, e quando o número é revisitado com regularidade, não só no dia marcado, a alavanca é a própria decisão, questionar premissa, propor alternativa, apontar risco antes de assinar contrato novo. Isso exige presença estrutural e hábito de revisão constante, não boa vontade pontual numa reunião por mês. Para isso, o FP&A precisa conseguir acompanhar orçamento, realizado, forecast e cenários com informação atualizada o suficiente para entrar na decisão antes que ela aconteça.

Nas últimas decisões relevantes que impactaram o resultado da sua empresa, o FP&A estava na mesa antes da decisão ser tomada, e o gestor responsável revisitou o número entre uma reunião e outra, ou os dois só apareceram depois que a decisão já tinha sido tomada?

Referências

Masha Chandrasekaran, Head de Supply Chain Finance, Unilever, "From Scorekeeper to Navigator: How Finance Can Shape Supply Chain Decisions", FP&A Trends, 4 de agosto de 2026: fpa-trends.com

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