O Que o CFO Pergunta na Aprovação do Orçamento

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Renan Lombardi

Por Redação PRAESKIUS

03 de jun. de 20264 min
mulheres numa reunião financeira avaliando planilhas, logo da praeskius sobreposta à imagem

Algumas pesquisas recentes com CFOs globais ajudam a explicar um gap que a maioria dos processos orçamentários nunca consegue fechar. O CFO Indicator Survey fez uma pergunta direta para CFOs globais: se o time de FP&A pudesse melhorar uma única habilidade, qual eles escolheriam?

29% dos entrevistados priorizam dashboard design e report building. Outros 25% apontam predictive analytics, enquanto 19% destacam modelagem estratégica de cenários what-if.

O que chama atenção não é cada número isolado. É o que eles têm em comum. Nenhuma das três prioridades tem a ver com fazer o orçamento fechar. Todas têm a ver com o que acontece depois que o orçamento fecha.

O que o processo produz versus o que o CFO vai perguntar

O ciclo orçamentário de três meses que começa agora em junho vai produzir um número. Um número que reconcilia, que distribui entre as áreas, que tem premissas documentadas e que passou por rodadas de aprovação interna.

Na reunião com o CFO, o número vai estar certo. E o CFO vai fazer perguntas que a estrutura atual não foi construída para responder.

Na reunião com o CFO, o número vai estar certo. E o CFO vai fazer perguntas que a estrutura atual não foi construída para responder.

O que acontece com a margem se a taxa de câmbio variar 10%? Qual é o impacto no resultado do ano se a área comercial fechar 20% abaixo do plano no segundo trimestre? Se decidirmos acelerar a contratação no segundo semestre, qual é o efeito no fluxo de caixa dos próximos doze meses?

Essas questões não são pedidos extraordinários. São o nível mínimo de análise que um CFO espera conseguir responder com o modelo orçamentário em mãos. E a maioria dos modelos construídos no processo tradicional não consegue respondê-las sem que alguém volte para a planilha e refaça os cálculos manualmente.

Nos mercados mais maduros, essa limitação já é tratada como falha de arquitetura operacional, não como pedido extraordinário do CFO. No Brasil, ainda é comum o time voltar para a planilha depois da reunião para calcular o que deveria já estar no modelo.

O gap entre o que o time constrói e o que o CFO espera

O Adaptive Insights pesquisou CFOs sobre o impacto que esperam do time de FP&A. 75% dos CFOs querem que o time tenha impacto significativo e forte nas decisões da organização. Apenas 46% esperam que isso aconteça de fato. O principal motivo identificado não foi competência técnica. Foi falta de tempo para planejamento estratégico.

O tempo que deveria estar em análise vai para consolidação. O tempo que deveria estar em modelagem de cenários vai para verificação de dados. O time chega na reunião com o orçamento fechado e com pouca margem para responder perguntas que não estavam no roteiro da elaboração.

A Cherry Bekaert, em pesquisa com CFOs de médio porte em 2025, identificou que 49% se sentem bloqueados por qualidade de dado insuficiente para tomar decisões financeiras críticas. Não é um problema de vontade. É um problema de processo que não foi construído para produzir o que a liderança precisa na outra ponta.

O que muda quando o CFO entra na sala

A reunião de aprovação orçamentária é o momento em que duas lógicas diferentes se encontram. O time financeiro chega com um processo que otimizou para fechamento. O CFO chega com perguntas que otimizam para decisão.

Não é um conflito de vontades. É um conflito de objetivos que a operação nunca alinhou explicitamente. O ciclo orçamentário foi desenhado para produzir um plano. O CFO quer uma ferramenta de navegação.

Essa distância não aparece na elaboração. Aparece na reunião de aprovação, quando o modelo já está pronto e refazer a arquitetura custa mais do que responder as perguntas manualmente mais uma vez.

Qual é a pergunta que o seu CFO mais frequentemente faz na reunião de resultado que a estrutura atual não consegue responder sem retrabalho?

Referências

CFO Indicator Survey, preferências de CFOs sobre habilidades do time de FP&A (29% dashboard, 25% predictive analytics, 19% scenario modeling): cfo.university — Step Up Your FP&A Game with Rolling Forecasts

Adaptive Insights, pesquisa com CFOs sobre impacto esperado do time de FP&A (75% querem impacto significativo, 46% esperam que aconteça): cfo.university

Cherry Bekaert Middle Market CFO Survey 2025, dados sobre qualidade de dado e bloqueios para decisão financeira (49% bloqueados por dado insuficiente): cbh.com — CFO Survey

Eide Bailly, sobre como CFOs usam dados para decisão estratégica em 2026: eidebailly.com — How CFOs Use Data

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